SEMINÁRIO SOBRE OBESIDADE INFANTIL: ASPECTOS DE SAÚDE E EDUCAÇÃO

Local: Centro Municipal Integrado de Educação Inclusiva Colbert Martins da Silva
Data: 23 de outubro de 2025

No dia 23 de outubro, aconteceu o Seminário sobre Obesidade Infantil realizado pela Academia de Educação de Feira de Santana, no Auditório do Centro Municipal de Educação Inclusiva Dr. Colbert Martins da Silva, com uma expressiva participação.

Foram cinco palestras proferidas por Docentes, Médicos Endocrinologistas e Nutricionista que apresentaram as principais causas do aumento da obesidade infantil, as inúmeras consequências, os riscos e a eficácia dos tratamentos medicamentosos e a necessidade de se adotar bons hábitos que possam prevenir essa doença.

Dra. Ana Mayra Oliveira, endocrinologista e pesquisadora do tema, iniciou com a afirmativa de que “... o excesso de peso é uma doença que dificulta as funções vitais e encurta a vida”. Após apresentar os principais motivos que levam à Obesidade, ela passou a descrever as consequências advindas dessa doença, enumerando algumas delas como problemas cardíacos, respiratórios, diabetes, lesões nas articulações, apneia, estrias, dentre outras, além da redução da autoestima. Todas elas foram sendo definidas do ponto de vista clínico, além da evolução apresentada nos últimos tempos, demonstrada através de dados obtidos em pesquisas científicas, inclusive através do projeto de pesquisa que desenvolve há alguns anos tendo como cenário a cidade de Feira de Santana.

O Médico Cesar Oliveira abordou a influência da obesidade no aprendizado, apresentando uma rica explanação sobre os motivos que levam uma criança com obesidade a ter baixo rendimento escolar, uma vez que afeta as funções cognitivas e o desenvolvimento cerebral, além dos impactos socioemocionais e comportamentais. Apresentou uma série de amostras resultantes de estudos que comprovam ser a obesidade responsável também pela baixa frequência escolar de crianças e adolescentes, concluindo que a educação é a ferramenta mais potente e de menor custo para modificar o cenário atual.

A médica endocrinologista Ana Luisa Oliveira, da UNICAP, desenvolveu o tema “Hábitos que curam: o papel do estilo de vida no tratamento da obesidade”, iniciando por uma série de mitos e verdades que existem sobre a alimentação, indicando pequenas mudanças de alguns hábitos que apresentam grandes resultados. Também destacou a necessidade de se adotar os exercícios físicos, fundamentais para uma boa qualidade de vida, desde a infância, dizendo que a própria família deve ser a principal incentivadora dessa prática, além da escola. Alertou para o perigo do pouco tempo de sono, que gera estresse, responsável por uma série de distúrbios e ainda para o uso de substâncias tóxicas à exemplo de cigarros, álcool, medicamentos estimulantes, drogas ilícitas e até mesmo o excesso de cafeína, açúcar e os ultraprocessados, que não passam de formulações químicas com pouco ou nenhum alimento de verdade. Alertou ainda para o perigo da maquiagem nas crianças, citando os malefícios que provocam e o uso de alimentos aquecidos em recipientes de plásticos. Apresentou uma série de hábitos que podem ser uteis para uma boa conexão na escola e na família, afirmando que afeto, presença e propósito curam.

Na sua abordagem sobre o tratamento medicamentoso da obesidade, Dra. Ana Luisa apresentou alguns deles, a eficácia e os efeitos colaterais, observando que a obesidade é uma doença crônica tratável, que exige acompanhamento contínuo, devendo ser iniciado logo cedo para que seja maior a chance de evitar complicações metabólicas, psicossociais e cardiovasculares. Família, escola e equipe multiprofissional são parte do tratamento. E concluiu dizendo que o sucesso não é só o peso — é devolver saúde, autoestima e futuro.

A Nutricionista Flávia Vosqui desenvolveu o tema sobre Lanches e Cantinas. Ela iniciou dizendo que a alimentação deve ser um planejamento gestacional, ou seja, desde o útero materno o bebe deve ser respeitado. Citou o impacto dos lanches na saúde, alertando que os lanches nas cantinas escolares devem ser observados também pelos pais, sendo fundamental a presença de um nutricionista, a política pública e a participação das crianças na escolha, no preparo e no experimento dos alimentos. Observou que o hábito alimentar dos pais e educadores são exemplos para a criança que aprende observando. Afirmou que “estamos deixando 30% das nossas crianças serem obesas e precisamos fazer a diferença”, parabenizando a Academia de Educação pelo trabalho apresentado neste Seminário.

O Seminário foi encerrado com um momento de interação com o público, havendo alguns depoimentos sobre práticas erradas em escolas e a dificuldade de se adotar medidas corretas.


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